A sinceridade com que algumas coisas se fazem transparece de forma cristalina. Bem que se pode fingir uma sinceridade na sua ausência, mas nunca por nunca se pode fingir que não se a tem quando ela existe de facto. Rui Vilhena e António “Mãos-de-Ferro” têm-na. De sobra.
Dois músicos exímios, daqueles que se esquecem das regras depois de as terem aprendido todas, juntam-se de acordo com a disponibilidade de ambos e relembram melodias, harmonias, por entre covers e versões do que bem lhes apetece. Sem restrições de cronologia ou estilo, sempre enriquecendo temas e homenageando canções. E fazem-no primorosamente bem. Envolvem quem os ouve num desfile de deleite sonoro. Sem artifícios, sem truques. Música pura e simples, mas nunca simplista.
Todas as notas contam, mesmo aquelas que, nunca lá tendo estado, aparecem no momento sempre certo, e porque consideradas (bem) apropriadas, surgem mescladas de sorrisos a traduzir uma satisfação de pura partilha, tornando cada momento irrepetível.
Além das duas guitarras um terceiro instrumento ocupa o palco. Esta é a parte mais difícil de descrever, sem desprimor para qualquer outra. A voz do Rui Vilhena é de facto extraordinária. Ao ponto de o próprio, por muito que às vezes o tente, não o consiga negar. É parte fundamental, embora indivisa, da extrema qualidade destes momentos.
Numa dessas noites, no extinto Uptown Bar, no Porto, pedi-lhes que me deixassem fotografá-los. Os resultados são muito aquém do que ali se viveu, bem como o é este ou qualquer outro texto que se possa escrever acerca deste assunto. Se uma imagem valerá mil palavras, nunca mil palavras e várias imagens traduzirão tanta qualidade musical, senão a música em si própria. De todo o modo, sinto a vontade de lhes agradecer estas fantásticas partilhas, como muitas vezes já o fiz pessoalmente. Espero que estas sofríveis tentativas se traduzam, pelo menos, num simples: obrigado.
Por sorte, minha e de todos os demais que venham a ter tal privilégio, a disponibilidade destes dois senhores por vezes surje…
Por sorte, minha e de todos os demais que venham a ter tal privilégio, a disponibilidade destes dois senhores por
vezes surje…




































